

14/09/2015 12h44
Até Amanhã
"Sei agora como nasceu a alegria, Publicado por Marisa Costa em 14/09/2015 às 12h44
20/07/2015 19h47
Li algures que os gregos antigos não escreviam necrológios...
Li algures que os gregos antigos não escreviam necrológios,
Herberto Hélder in , " A Faca Não Corta o Fogo " Publicado por Marisa Costa em 20/07/2015 às 19h47
19/07/2015 13h54
Leva-me Contigo...
"LEVA-ME CONTIGO...
"Leva-me contigo vida. Vamos fugir deste mapa cinzento e só regressar quando as cores da nossa vida se tocarem numa trincha larga e infinita que nos ligue eternamente. Quero-me apaixonar por ti e que vivas em mim. Quero ser a infinidade contigo e caminhar com a simplicidade de uma mão dada, no caminho que ambos pintarmos. Seremos artistas das quatro estações, nos quatro cantos redondos do mundo. Leva-me contigo para um lugar qualquer, longe ou perto, onde existe um espelho mágico tão grande, que não tenha outra alternativa se não olhar-me nele, autodescobrir-me para além daquilo que os olhos se apercebem e, finalmente, encontrar-me comigo e com o amor. Pode ser aqui, ali ou acolá. Para norte, sul, este ou oeste. Para o calor de um deserto ou para o gelo do Árctico, para uma praia encantada de água azul cristalina ou para o interior de um castelo no cimo de uma montanha. Leva-me para esse sítio encantado, onde me possa libertar dos condicionamentos do tempo e das suas ilusões e aprenda a desligar a mente e a viver no único momento que é real, o presente. (…) Acredito em ti como nunca acreditei e reconheço em mim uma máscara enferrujada, que preciso deitar fora, e um muro intransponível que preciso derrubar. Ainda não sei o que é essa liberdade, mas conto contigo para me levares lá. Não me digas que não podemos ir e emite-me esse bilhete... peço-te. Sei que esperastes por mim todos estes anos, mas só agora estou pronto para derrotar os meus medos e entregar-me a ti. Quero despojar-me do meu passado e renascer. Leva-me vida e eu levo comigo apenas o necessário para os primeiros passos, pois sei que me providenciarás tudo o que necessito. Ouvirei o rufar triunfante da minha respiração e o palpitar do meu instinto. Verei a sedução condutora da Natureza e, através dela do seu manto de luz, guiar-me-ei pelas estrelas, ventos e marés, até dar de caras comigo num lugar qualquer, onde o tempo não existe e as pessoas possam sorrir, simplesmente, por saberem que possuem o bem mais valioso de todos... TU. Não sei se este lugar existe ou se o espelho mágico não passa de uma criação espontânea da minha cabeça, como sendo a única saída para enfrentar medos que tenho receio de perceber. Mas sei que só escrevendo esta carta é que posso ter hipótese de lá chegar e me encontrar, pois as palavras apontam para além daquilo que elas são, abrindo caminhos que só poderão ser percorridos, mais tarde, pela provação. E eu quero sentir esse sabor...
Leva-me contigo, só assim poderei renascer dentro do meu próprio coração e ter alma de pássaro. Só assim poderei sentir a sintonia e a unidade com alguém que possua uma alma esvoaçante do tamanho da minha e me ame da essência, nesta viagem tão misteriosa que é a autodescoberta. Leva-me contigo da escuridão labiríntica à claridade, do medo ao amor, do constrangimento do tempo ao vazio da paz interior. Leva-me contigo até às portas da felicidade."
Autor: Gustavo Santos in Carta branca (*) Imagem: Google
Publicado por Marisa Costa em 19/07/2015 às 13h54
17/07/2015 19h55
Tinha Paixão?
“Li algures que os gregos antigos não escreviam necrológios, quando alguém morria perguntavam apenas: tinha paixão? quando alguém morre também eu quero saber da qualidade da sua paixão: se tinha paixão pelas coisas gerais, água, música, pelo talento de algumas palavras para se moverem no caos, pelo corpo salvo dos seus precipícios com destino à glória, paixão pela paixão, tinha? e então indago de mim se eu próprio tenho paixão, se posso morrer gregamente, que paixão? os grandes animais selvagens extinguem-se na terra, os grandes poemas desaparecem nas grandes línguas que desaparecem, homens e mulheres perdem a aura na usura, na política, no comércio, na indústria, dedos conexos, há dedos que se inspiram nos objectos à espera, trémulos objectos entrando e saindo dos dez tão poucos dedos para tantos objectos do mundo ¿e o que há assim no mundo que responda à pergunta grega, pode manter-se a paixão com fruta comida ainda viva, e fazer depois com sal grosso uma canção curtida pelas cicatrizes, palavra soprada a que forno com que fôlego, que alguém perguntasse: tinha paixão? afastem de mim a pimenta-do-reino, o gengibre, o cravo-da-índia, ponham muito alto a música e que eu dance, fluido, infindável, apanhado por toda a luz antiga e moderna, os cegos, os temperados, ah não, que ao menos me encontrasse a paixão e eu me perdesse nela, a paixão grega”. Herberto Helder in , " A Faca Não Corta o Fogo "
Publicado por Marisa Costa em 17/07/2015 às 19h55
25/06/2015 08h43
Ah, saudade gostosa...
Ah, saudade gostosa...
Ah, que bonita era... a festança no arraiá nas noites de São João, lá, onde a Senhora da Piedade abençoa a cidade a seus pés.
Ah, que prazer viver... a sorridente alegria, sanfoneiro, quentão, vinho quente, caldeirão de canjica borbulhando no fogão a lenha lá, onde meus avós eram felizes.
Ah, que beleza de emoção... a fogueira até o céu, o luar transparente, povo alegre a dançar na noite fria cheia de calor humano.
Ah, tempos bonitos ... então, é a menina que acessa quando saudade gostosa bate forte... Feliz, então, ela fica... Na pele viveu eternas belezas de instantes.
(*)Imagens: Google Imagem 1: Santuário Nossa Senhora da Piedade - Caeté/MG Publicado por Marisa Costa em 25/06/2015 às 08h43
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