Marisa Costa

Saber sonhar é saber viver!

Meu Diário
14/09/2015 12h44
Até Amanhã

"Sei agora como nasceu a alegria,
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima.

É primeiro só um rumor de espuma
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, beijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.

É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é diurno e sem palavras.

Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou
para que tu as ames comigo:
a juventude, o vento e as areias".


Eugénio de Andrade, in "Até Amanhã"


Publicado por Marisa Costa em 14/09/2015 às 12h44
 
19/07/2015 13h54
Leva-me Contigo...

"LEVA-ME CONTIGO...

 

"Leva-me contigo vida. Vamos fugir deste mapa cinzento e só regressar quando as cores da nossa vida se tocarem numa trincha larga e infinita que nos ligue eternamente.

Quero-me apaixonar por ti e que vivas em mim. Quero ser a infinidade contigo e caminhar com a simplicidade de uma mão dada, no caminho que ambos pintarmos.

Seremos artistas das quatro estações, nos quatro cantos redondos do mundo.

Leva-me contigo para um lugar qualquer, longe ou perto, onde existe um espelho mágico tão grande, que não tenha outra alternativa se não olhar-me nele, autodescobrir-me para além daquilo que os olhos se apercebem e, finalmente, encontrar-me comigo e com o amor. Pode ser aqui, ali ou acolá. Para norte, sul, este ou oeste. Para o calor de um deserto ou para o gelo do Árctico, para uma praia encantada de água azul cristalina ou para o interior de um castelo no cimo de uma montanha. Leva-me para esse sítio encantado, onde me possa libertar dos condicionamentos do tempo e das suas ilusões e aprenda a desligar a mente e a viver no único momento que é real, o presente. (…)

Acredito em ti como nunca acreditei e reconheço em mim uma máscara enferrujada, que preciso deitar fora, e um muro intransponível que preciso derrubar.

Ainda não sei o que é essa liberdade, mas conto contigo para me levares lá. Não me digas que não podemos ir e emite-me esse bilhete... peço-te. Sei que esperastes por mim todos estes anos, mas só agora estou pronto para derrotar os meus medos e entregar-me a ti.

Quero despojar-me do meu passado e renascer.

Leva-me vida e eu levo comigo apenas o necessário para os primeiros passos, pois sei que me providenciarás tudo o que necessito.

Ouvirei o rufar triunfante da minha respiração e o palpitar do meu instinto. Verei a sedução condutora da Natureza e, através dela do seu manto de luz, guiar-me-ei pelas estrelas, ventos e marés, até dar de caras comigo num lugar qualquer, onde o tempo não existe e as pessoas possam sorrir, simplesmente, por saberem que possuem o bem mais valioso de todos... TU.

Não sei se este lugar existe ou se o espelho mágico não passa de uma criação espontânea da minha cabeça, como sendo a única saída para enfrentar medos que tenho receio de perceber. Mas sei que só escrevendo esta carta é que posso ter hipótese de lá chegar e me encontrar, pois as palavras apontam para além daquilo que elas são, abrindo caminhos que só poderão ser percorridos, mais tarde, pela provação. E eu quero sentir esse sabor...

 

Leva-me contigo, só assim poderei renascer dentro do meu próprio coração e ter alma de pássaro. Só assim poderei sentir a sintonia e a unidade com alguém que possua uma alma esvoaçante do tamanho da minha e me ame da essência, nesta viagem tão misteriosa que é a autodescoberta.

Leva-me contigo da escuridão labiríntica à claridade, do medo ao amor, do constrangimento do tempo ao vazio da paz interior.

Leva-me contigo até às portas da felicidade."

 

Autor: Gustavo Santos in Carta branca

(*) Imagem: Google

 


Publicado por Marisa Costa em 19/07/2015 às 13h54
 
17/07/2015 19h55
Tinha Paixão?

“Li algures que os gregos antigos não escreviam necrológios,

quando alguém morria perguntavam apenas:

tinha paixão?

quando alguém morre também eu quero saber da qualidade da sua paixão:

se tinha paixão pelas coisas gerais,

água,

música,

pelo talento de algumas palavras para se moverem no caos,

pelo corpo salvo dos seus precipícios com destino à glória,

paixão pela paixão,

tinha?

e então indago de mim se eu próprio tenho paixão,

se posso morrer gregamente,

que paixão?

os grandes animais selvagens extinguem-se na terra,

os grandes poemas desaparecem nas grandes línguas que desaparecem,

homens e mulheres perdem a aura

na usura,

na política,

no comércio,

na indústria,

dedos conexos, há dedos que se inspiram nos objectos à espera,

trémulos objectos entrando e saindo

dos dez tão poucos dedos para tantos

objectos do mundo

¿e o que há assim no mundo que responda à pergunta grega,

pode manter-se a paixão com fruta comida ainda viva,

e fazer depois com sal grosso uma canção curtida pelas cicatrizes,

palavra soprada a que forno com que fôlego,

que alguém perguntasse: tinha paixão?

afastem de mim a pimenta-do-reino, o gengibre, o cravo-da-índia,

ponham muito alto a música e que eu dance,

fluido, infindável,

apanhado por toda a luz antiga e moderna,

os cegos, os temperados, ah não, que ao menos me encontrasse a paixão e eu me perdesse nela,

a paixão grega”.

Herberto Helder  in , " A Faca Não Corta  o Fogo "

 


Publicado por Marisa Costa em 17/07/2015 às 19h55
 
25/06/2015 08h43
Ah, saudade gostosa...

Ah, saudade gostosa...

 

Ah, que bonita era...

a festança no arraiá

nas noites de São João,

lá, onde a Senhora da Piedade

abençoa a cidade a seus pés.

 

Ah, que prazer viver...

a sorridente alegria,

sanfoneiro, quentão, vinho quente,

caldeirão de canjica borbulhando no fogão a lenha

lá, onde meus avós eram felizes.

 

Ah, que beleza de emoção...

a fogueira até o céu,

o luar transparente,

povo alegre a dançar na noite fria

cheia de calor humano.

 

Ah, tempos bonitos ...

então, é a menina que acessa 

quando saudade gostosa bate forte...

Feliz, então, ela fica...

Na pele viveu  eternas belezas de instantes.

 

        

 

(*)Imagens: Google

Imagem 1: Santuário Nossa Senhora da Piedade - Caeté/MG


Publicado por Marisa Costa em 25/06/2015 às 08h43
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12/06/2015 07h53
Quando você me olha...

 

Quando você me olha...

Falando de amor...

Me desejando...

Me fazendo carinho...

Sinto esse tempo, vezes implacável,

um nosso cúmplice,

pois faz que ainda hoje...

enamorada, eu possa dizer:...

Como é bom ter você comigo...

Estou feliz com você...

Você me faz feliz.

De presente de aniversário...

beijo-te..., abraço-te.

Pelo  Dia dos Namorados, dou-te de presente...

Eu!...

12/06/15

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Publicado por Marisa Costa em 12/06/2015 às 07h53



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