Marisa Costa

Saber sonhar é saber viver!

Textos


“Têm dias em que é difícil sair de casa e olhar a vida.
  São os dias em que se tem ciência da finitude.
  Que tudo há de deixar de ser.
  Acolher-nos, resta?”. (Marisa
...

Sorvedouros do tempo...


 
Os dias cinzentos, eles veem, tu, uma única folha, numa única árvore no mundo, dum ramo seco saltar para o vazio.
Lembranças tão ternas de amores, de amigos que amou, levas.  Ir, querias não! 

O dia declina. Ressequida, tocas o seio da Terra. Ela, fecundante te engole. Camada de terra, após camada, te enterrando cada vez mais profundo. Prendendo-te.
O frio é intenso. A noite infinda. Escuridão, profunda.
Entranha-te, tristeza insustentável. À vida pertences. Desde sempre.

O caminho de volta é longo. Uma dor morna, gratificante.  
Quase já chegas. Renasces. 
Estás jovem. De novo, guerreias contra o tempo. Não com o que ficou pra trás, mas contra sua tentativa pequena e cruel de ir descamando, pouco a pouco, tudo o que você mais ama.

Verdadeiramente mais terrível são os anos perdidos por vir.  
O estar, o deixar ficar que é mais pálido, mais fraco. Se morto já não está.
E carregas a morte, de novo. Invés do alívio do nada, morto sem ter morrido, espera-te o cansaço, o peito doendo.
Insuportável isso!

Até, de vez para sempre levantes voo e saias por aí dando saltos mortais através de sorvedouros do tempo.
Roçando da morte para a vida, da terra para o espaço cintilante, rosto voltado para cima alcances a tão sonhada liberdade. 

(*) Imagem: Google

https://www.youtube.com/watch?v=K8MfCjlFviQ
Marisa Costa
Enviado por Marisa Costa em 18/03/2018
Alterado em 19/03/2018
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